Sem frescura! É hora de cuidar da sua filha.

Eu já fui daquelas crianças que tudo lê e tudo quer saber o que significa. Um dia já perguntei para a minha mãe o que era um motel. Ela não deu a resposta mais transparente, mas também não mentiu: “É um lugar que namorados vão”.

Um dia também já vi um comercial de absorventes, os quais eu via no guarda-roupa da minha irmã, e perguntei o que era aquilo. Minha mãe ainda não contou todas as consequências da ausência ou presença da menstruação, mas me explicou que um dia me aconteceria, poderia sujar a minha roupa, mas seria sinal de que minha saúde estava boa e que era preciso conviver com aquilo.

Um dia eu transei pela primeira vez. Não sabia se devia ou não contar pra minha mãe e se teria que compartilhar como aconteceu, o que fiz ou o que senti. Não tive o diálogo mais liberal do mundo, mas me senti menos insegura: “Foi bom? Foi com alguém que você queria que fosse? Vocês usaram camisinha? Então fico feliz”.

Hoje, alguns bons anos depois de tudo isso, estou saudável, sem filhos, curto o sexo com o que ele tem de melhor, não me é um tabu, cuido de mim e do meu corpo. Ainda que de maneira pouco franca ou aberta, acho que aquelas conversas puderam fazer a diferença.

vacina-hpv-sus-2Aí me deparo com a notícia de que o SUS está oferecendo vacinas contra o HPV para meninas de 11 a 13 anos. O HPV está relacionado com o câncer de colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais comum nas mulheres. Mesmo sabendo que eu devia usar camisinha desde a primeira transa, provavelmente eu não sabia, na época, o que era HPV.

Acontece que, na minha época, não era algo comum começar a vida sexual aos 13 ou 14 anos. Hoje parece que é. Até antes, vai lá saber. Ponto positivo, então, para o governo, que entendeu a necessidade desse tipo de prevenção e tomou medidas para diminuir os riscos da doença.

O que muito me espanta nessa história toda é ver que, por mais absurdo que pareça, há mães optando por NÃO vacinarem suas filhas. “Ah, mas se eu a vacinar, ela vai achar que pode transar sem camisinha”, “esse tipo de campanha é um incentivo para que minha filha inicie sua vida sexual mais cedo”, “vou ter que explicar sobre sexo quando levá-la para vacinar?” e mais diversas outras baboseiras. Estão todas convidadas a virem em casa para tomar um chá e bater um papinho com a minha mãe, ok?

O HPV não é a única doença que pode ser transmitida se não usar camisinha, aliás, existem dezenas delas e não há vacinas. Ninguém passa a ter um hábito por culpa de uma vacinação, oras bolas. Ou alguém aqui resolveu usar drogas e compartilhar sua seringa depois que tomou a vacina contra hepatite quando bebê ou criança? O HPV, como já falei a cima, pode causar câncer no colo do útero. Câncer! E você, mamãe, mais preocupada se sua filha vai meter do que com a saúde dela como um todo? O buraco é mais fundo, com o perdão do trocadilho.

Se você está adiando falar sobre vida sexual com sua filha pré-adolescente, você está falhando no seu papel de mãe e desculpe jogar isso na sua cara assim. Se você até pensa em falar e nunca soube como, eis a oportunidade. Com idades para serem mães, todo mundo já tem coragem de dar e ninguém tem coragem de falar? Libertem-se e cuidem de suas princesas.

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