There’s whiskey in the jar

A roupa tem que ser confortável, uma calça legging, um tênis, uma blusinha sem manga porque pode até fazer muito frio, mas lá no meio você vai sentir calor. Tudo preto, de preferência, para combinar com o clima.

Dentro da bolsa pequena, só o necessário: carteira com dinheiro trocado e documentos, uma capa de chuva, um prendedor de cabelo, celular, fone de ouvido, um chocolate, máquina fotográfica e, claro, aquilo que você comprou com seu dinheiro – e muito, nos últimos anos – e guardou a sete chaves para enfim chegar o dia: o seu ingresso para um show de rock.

Eu não sei pra vocês, mas pra mim, ir a um show de uma banda de rock que eu goste muito está entre as coisas mais prazerosas da minha vida. E não é apenas o show que faz isso ser um prazer tão inigualável, é o conjunto todo da obra, essa mística toda. Desde a hora em que você acorda, naquele dia marcado, até os dias seguintes ao show, em que você ficará revendo fotos e vídeos e com o set list todo na cabeça cantarolando.

Aquela angústia de chegar até o local do show na hora que planejou e pegar a fila para entrar é tão boa quanto a de um encontro! Sem contar o coração acelerado na hora em que você entra no lugar e vê o palco pronto e aquela multidão de gente, todas normalmente de preto, tão ansiosas quanto você. Aí você toma duas, três cervejas e só se passaram 15 minutos desde que você chegou.

Todas as pessoas ali são exatamente como você. Não nas ideias, ou opiniões, ou na vida. Nada disso! Mas estão todas com o estômago doendo e roendo os dedos pra começar logo. Todos fizeram esse mesmo ritual pré-show que você fez. Aí você espera três, quatro, cinco horas pro show começar. Quando faltam cerca de 30 minutos, meu amigo, cada segundo é uma eternidade. E quando as luzes finalmente se apagam é como se você estivesse numa nave prestes a decolar pro espaço. Algo muito maravilhoso vai acontecer nos próximos minutos.

Metallica by Request em São Paulo - 22/03/2014

Metallica by Request em São Paulo – 22/03/2014

O show acontece e isso nem preciso descrever, certo? São aquelas horas orgásticas de pessoas se balançando em transe, cada uma no seu mundo, berrando feito torturados. De vez em quando esses mundos se encontram e é quando elas se abraçam e se socam, se empurram e pulam juntas e gritam mais um pouco.

E quando chega o fim você nem acredita que já foi. Você está mais suado que um porco, mais descabelado que a Maria Bethânia, rouco e dolorido. Um trator passou. E esse trator eu deixaria passar quantas vezes pudesse. Hora de ir pra casa, postar fotos, conversar com outros amigos que foram e você não encontrou, ler as críticas e sentir o pescoço doer – quem mandou bater cabelo feito um possuído? Nessas horas você promete fazer uma tatuagem com a frase tal, de tal música, e promete entrar no altar com aquela outra música, se um dia casar. Sem contar as tentativas de ranquear esse show na sua lista de shows mais fodas e escolher as músicas que foram pontos altos do espetáculo.

Sim, tudo isso acontece 99% das vezes em que vamos a shows de rock e com 99% das pessoas que ali estão. Aí todos encerram o dia com uma larica na madrugada em algum drive-thru de fast food, se jogam na cama e esperam pegar no sono quando a adrenalina abaixar. É nessa hora que o pensamento é só um: “Caralho, eu quero viver de rock n’ roll!”

Amanhã, às 6h30 o despertador vai tocar… Nos encontramos no próximo show.

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