Ser um pouco mais Senna

Às vezes eu acordo com muita vontade de desistir. De não trabalhar. De não malhar. De não estudar. De não sair da cama. Às vezes eu opto pelo caminho mais fácil, mais curto, mais prático e depois percebo que o mais longo que poderia me dar o melhor resultado. Tarde demais. Às vezes eu me dou por vencida porque acho que não há mais nada o que fazer. Às vezes eu fico quieta e deixo que passem por cima de mim. Às vezes eu nem tento porque acho que não vou chegar lá. E depois de todas essas vezes, acho que às vezes me falta ser um pouco mais Senna.

Que me perdoem outros tantos ícones do nosso País. Há uma cadeira vazia desde 1994. A cadeira de ídolo era de Senna e desde então, nunca mais ninguém a preencheu tão bem. E esqueçam as pistas. Será que gostamos mesmo tanto de Fórmula 1 assim? Há, claro, aqueles que foram e sempre serão mesmo fãs, mas e no País do futebol? No País como um todo? Sejamos sinceros, somos mesmo? Não criamos a tradição da corrida. Muito pelo contrário. Depois dele, tentamos, arduamente, engatar a paixão por essa prática e andamos aos trancos e barrancos. Pobre Galvão, pode gritar, pouco nos empolga. Tentamos, a partir dele, brilhar novos nomes nas curvas do mundo e, ano após ano, vamos riscando aqueles que surgem e não chegam aos pés. Realmente, é de Senna que sentimos a falta.

Porque ídolo é mais que títulos, é mais que comemorações. Ídolo é aquele que inspira. Que transpira e te inspira a transpirar. Não foi a Fórmula 1 que levantou a bandeira do Brasil pro mundo todo ver. Não foi a Fórmula 1 que superou posições, lá de trás até o pódio, e fez todo mundo ver que dá para ser assim na vida. Não foi a Fórmula 1 que brigou pelo seu lugar e peitou quem precisasse peitar. Não foi a Fórmula 1 que nos ensinou que não vale a pena ser só mais um. Não foi a Fórmula 1 que nos contou que determinação se leva às últimas consequências e que competir não vale nada, o que vale mesmo é ganhar. E não será o futebol, não será o tênis, não será a natação. É preciso ser alguém. E foi Senna.

10012013_274218366088256_359013193_o

Depois de 20 anos de sua morte, e de mais muitos outros anos somados de carreira, é isso que vemos. Um País carente daquele que, seja qual for a modalidade, te mostre que é possível. Que o Brasil é possível. Que o brasileiro é possível. Pode ser até mesmo em um esporte de elite, um esporte de gringos, um esporte visto pela televisão. Senna jamais desistiu e era nas pistas que ele fez todo mundo entender isso. Realmente, é de Senna que sentimos a falta.

É por isso que sua história se prolonga por tanto tempo. Por isso que Senna toca também gerações que só se lembram do “tan tan tan” no domingo, ou até mesmo gerações que nem tiveram a oportunidade de te ver vivo. Talvez Senna nem soubesse a força que tinha nas mãos. Sabia de seu potencial dentro das pistas, mas fora delas era ainda maior. A força que ele transmitia criava motores dentro de nós e desde então vivemos em ponto morto. É desse ronco que estremece lá dentro do peito que sentimos falta.

Eu queria mesmo ser um pouco mais Senna. Eu não quero correr de kart, não quero vestir um capacete, não quero dirigir um carro de Fórmula 1. Eu quero dar a minha partida, acelerar com foco em uma meta, ultrapassar aquilo que pode me vencer, superar hoje o limite de ontem e amanhã o de hoje. Eu quero vibrar com as minhas vitórias e não ter vergonha de levantar uma bandeira. E se eu tiver que bater, que seja sabendo que fiz tudo o que eu podia e amava fazer até aqui. O melhor de mim, sem nenhum medo. Nós, definitivamente, devemos ser um pouco mais Senna.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s