Viver e ser a Copa – parte III: Uma brasileira longe do Brasil

Por Paula Pezutto

Desde quando decidi viver essa nova experiência na Austrália sabia que uma das épocas que mais sentiria falta de estar no Brasil seria na Copa do Mundo. Cheguei a repensar, afinal é a minha paixão pelo futebol. São Copas acompanhadas fielmente desde 1990 na Itália, – a primeira da qual tenho recordações – depois desejei muito estar em algum estádio lá nos EUA (quem não se lembra de onde estava quando aconteceu aquele chute pra fora no pênalti do Baggio? No meu caso, férias na praia, com comemoração na avenida com meu primo), depois inconformada com o vice da França em 1998, em 2002 acordando de madrugada em todos os jogos na Coréia/Japão e enfim até chegarmos ao Penta e às eliminações de 2006 e 2010. E logo agora quando o MAIOR EVENTO da bola aconteceria no meu País, logo no “País do Futebol”, eu não estaria para acompanhar de pertinho e fazer parte de todo esse clima que amo fazer parte.

Mas enfim, a decisão estava tomada! E como dizem, cada escolha uma renúncia e essa foi uma delas que tive que encarar aqui do outro lado do mundo. Mas com isso eu também tinha a chance de conhecer um outro tipo de torcedor. Na verdade, no caso de Perth, muitos outros tipos de torcedores.

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O Australiano não tem muita paixão pelo nosso futebol, seu negócio mesmo é o Football, um jogo com a mistura de futebol americano e rugby, que ainda estou tentando entender. Mas uma admiração existe, independente do estilo e dessa vez a sua seleção também estaria lá no Brasil para disputar a Copa do Mundo. Por isso, em muitos lugares que fui e pessoas que eu conhecia, o assunto era o mesmo quando eu dava a minha resposta ao “Where are you from?” Muitos não se conformavam comigo, o que eu estava fazendo aqui? A Copa do Mundo no meu País e eu aqui.

Foi engraçado em uma noite que um australiano me parou na rua para perguntar uma informação – claro, com minha aparência de australiana, ele realmente achou que eu saberia ajudá-lo. Ao notar meu “accent” brazuca sua próxima pergunta foi: “É claro que você vai voltar para o Brasil para assistir a Copa né?”. E ao ouvir minha resposta negativa, me mandou logo na cara: “ARE YOU CRAZY?”. Sim, era o que a maioria dos gringos me falavam ao tocar nesse assunto: que eu estava louca. Muitas histórias… Um ‘aussie’ que estava empolgadíssimo para conhecer o Rio de Janeiro e Salvador discutiu comigo quando sugeri que fosse a São Paulo também. O professor que por onde me via, falava sobre a Copa e queria saber da minha expectativa. O mais bacana de tudo isso, foi ver como em Perth convivemos com muito mais estrangeiros do que com os próprios australianos. Pude também conhecer um pouco da reação dos diversos torcedores do mundo.

Conheci o Belga que não cansava de me dizer que sua seleção não iria pra frente, mas me fez questão de mostrar seu grande astro, contar informações de onde jogava e o que falavam dele. Os coreanos que se surpreenderam com o primeiro empate do seu time e me repetiam a todo momento: “It´s a miracle!”. Os árabes que até camisa para o Brasil fizeram! O suiço que por ter também descendência sul americana escolheu torcer para o Uruguai – inclusive, acompanhei sua decepção ao serem eliminados pela Colômbia.

Por sinal, foi o jogo que mais me surpreendeu. Junto do Brasil, a torcida colombiana foi a mais apaixonada durante a Copa. Uma amiga me contou tudo no seu primeiro jogo. Com a ausência de Falcão Garcia, que estava lesionado e não jogaria o Mundial, fui orientada a ficar de olho em James Rodriguez. Segundo ela, “seu namorado”. E ela estava mais do que certa! O menino realmente arrebentou!

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Acordei em cada madrugada que pude, mesmo com o inverno chegando nos 3° C. Contei os minutos para ver a abertura e a estreia da nossa seleção, em um churrasco nos reunimos para tentar estar mais próximo do Brasil, Também assisti o confronto com uma minoria mexicana, já contra o Chile, me irritei com a quantidade de gringos torcendo contra o Brasil. Torci muito nos jogos dos Socceroos, como é conhecida a seleção australiana, e fiquei feliz em ver sua boa participação, contando com um dos gols mais bonitos da competição. E vibrei com as atuações da Colômbia, mais uma vez, os que mais me surpreenderam.

Infelizmente fui obrigada a engolir as gracinhas de um chefe alemão depois da decepcionante eliminação por 7×1. No dia seguinte, ainda de cabeça cheia, ganhamos 7Up e chocolate alemão. Faz parte! É o futebol! Hoje, sem dúvida, ele está muito mais feliz com seu time campeão e eu, mais uma vez acordada na madrugada, compartilho um pouquinho com ele, afinal, seria um castigo ver nosso maior rival, a Argentina, levar a Taça na nossa casa. No Brasil não!

E assim foi… Daqui, recebi fotos dos amigos no Brasil que se revezam entre Vila Madalena, estádios pelo Brasil (do CORINTHIANS, inclusive), reuniões com os amigos e com a Família. Foram com certeza, dias de grande saudade, com aquela vontade de estar lá pertinho e pra ver o inesquecível. Marcante! Foi a Copa do meu País, vivenciada do outro lado do mundo! E eu poderei dizer, daqui foi LINDO DE VER!

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