Viver e ser a Copa – última parte: 12 lições que aprendi no mundial

Ok, eu sei, está na hora de desapegar. Eu vou conseguir, uma hora eu esqueço a Copa e volto à rotina. Mas enquanto isso não acontece, eu me lembro não só da festa toda mas de tudo que aprendi com ela. E não foi pouco. Eu tive experiências de trabalho, de curtição, de esporte e estou 100% certa de que elas me engrandeceram.

Antes de contar aqui as lições que vou levar comigo, respondo aos tantos comentários que ouvi e aos julgamentos que recebi desde quando me inscrevi no processo seletivo de voluntária: Eu cresci muito como ser humano, como profissional e como brasileira, coisas que dinheiro não costuma pagar realmente. Se isso é ser idiota, otária e inocente, como muitos disseram; prazer! Eu sou idiota, otária e inocente. Desejo que vocês sejam muito mais idiotas, otários e inocentes na vida pra poder receber tanta oportunidade de aprendizado gratuita assim. Desejo a todos nós.

Além disso, não me venham com xurumelas de “ah, mas trabalho voluntário em hospital, creche e comunidade carente ninguém faz, né?”. Fazemos, amigos. Eu faço. Fica aqui o convite para tomar uma cerveja e ouvir todas as minhas histórias de trabalho voluntário que já fiz quando estava no colégio, com o Corinthians e que faço até hoje na GE, onde trabalho. A Copa foi só mais um dessa deliciosa coleção de trabalhar sem ganhar com aquilo que gostamos e acreditamos. Obrigada.

Passado o desabafo, vamos às lições:

1 – Como profissional, eu aprendi o que eu achava que sabia: organizar um evento. A organização da Copa do Mundo passa muito longe de qualquer ideia que tenhamos sobre isso. Cada detalhe, cada procedimento, cada minuto contado para a rotina acontecer, cada saída para um problema. Não foi 100%, claro que não, mas sem dúvida foi um planejamento absurdo que eu jamais imaginei e vou levar pro meu currículo como exemplo e experiência. E só tive acesso ao que cabia na minha função de voluntária. Mal consigo imaginar planejar o evento todo…

2 – Como pessoa, eu aprendi sobre pessoas. Foram tantas nações e culturas misturadas que eu aprendi uma palavrinha aqui, outro costume ali, e exercitei o meu respeito ao máximo que podia. No final das contas eu aprendi mesmo que somos todos iguais, sorridentes e alegres pelo mundo todo e que é a pressão da vida que nos muda, é uma filosofia que nos impõe algo, um coletivo que repassa alguma coisa. Quando estamos diante só de algo que nos deixa feliz, no caso a festa do futebol, somos todos iguais e de bom coração receptivos a tantos outros.

3 – Como apaixonada por esporte, aprendi que ele é uma ferramenta. Complementa o item acima. O esporte é sim um caminho de transformação na sociedade. Ele educa, ele integra, ele gera renda, ele nos deixa saudável, ele rompe barreiras, ele socializa, numa simples troca de figurinha, num abraço de gol. Talvez eu tenha visto isso melhor por estar lá perto, mas sei que vamos todos ver ainda mais com a chegada das Olimpíadas e, principalmente, das paraolimpíadas, que também acontecerão aqui no Rio de Janeiro. Ele toca diversas esferas das pessoas, desde seu lado social e solidário até seu lado competitivo e de liderança. Ele ignora classes e cores e mistura tudo numa linda festa, como a Fan Fest mostrou diariamente pra mim. Ele cria metáforas da vida pra ensinar crianças a crescer na vida. Precisamos saber usá-lo.

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4 – Aprendi mais sobre questões de mobilidade. E não estou falando da mobilidade em São Paulo, mas da mobilidade de nosso corpo. Enquanto estávamos nos estádios nos preocupando com qualquer pessoa que precisasse de um acesso facilitado – fosse ela uma grávida, um idoso, um deficiente físico ou uma pessoa que se fraturou recentemente – as pessoas estavam repassando imagens de supostos deficientes “curados” nos assentos exclusivos.

5 – Exercitei muito meu autocontrole. Não foi fácil saber lidar com bêbados descontrolados, com pessoas mal educadas, exaltadas, com desrespeito com filas preferenciais, com zueiras além do limite, com provocações de torcedores. A orientação que recebi é que eu lidasse com tudo isso com o sorriso no rosto e um rápido raciocínio na tomada de ação. Árdua tarefa que deu certo.

6 –Balanceei coisas do nosso país. Foi muito chocante ver tão de perto como nosso país é tão amado e valorizado enquanto nós mesmos não o amamos como poderíamos. E isso não significa cegar para os problemas, mas saber ponderar onde temos mesmo vitórias e onde temos tantos defeitos e fazer com que o orgulho nos movesse a querer sempre mudanças. Bastava minutos de conversas com gringos para entendermos tudo isso. O olhar de fora me abria os olhos.

7 – Desenvolvi meu trabalho em grupo. Entre os voluntários havia mulheres, homens, adolescentes, senhores, gringos, deficientes de fala ou físicos e a cada jogo a minha equipe mudava. Eu tinha algumas horas antes do jogo para me entender com eles e fazer tudo acontecer. E tudo acontecia.

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8 – Eu descobri que eu aguento beber muito e ficar muito tempo sem dormir e muito tempo em pé. Descobri que meu cérebro trava na hora de trocar o espanhol pro inglês e voltar pro português e descobri que sei sambar melhor que muita gente no mundo. Descobri que tenho uma energia que não sei de onde saiu, rss.

9 – Eu entendi que a gente pode. A Copa foi das melhores da história mesmo com o tanto do “jeitinho brasileiro” praticado. Obras deixadas para última hora, projetos inacabados ou até menos nem começados, promessas, o tal do legado. Imagina se tivéssemos colocado mesmo a mão na massa? É a prova de que podemos. Se para o país todo isso não acontece, eu, pelo menos, farei isso pra mim e pro meu círculo. Dá pra fazer o melhor.

10 – Eu descobri que não quero mais a solidão que as grandes capitais nos dão. O período da Copa foi lindo de se viver porque estávamos sempre sedentos por fazer amizades, por falar com turistas, estávamos curiosos pelo desconhecido, queríamos interagir. Por que não ser assim diariamente? Às vezes, essa desconfiança que carregamos todos os dias, o mau humor, o lado antissocial e a pressa pesam mais que 12 horas de trabalho. Quero aprender a ponderar isso daqui para frente.

11 – Me questionei sobre o futebol que é feito no Brasil. Em todos os seus aspectos, dentro e fora do campo. Me perguntei porque fora da Copa temos sempre tantos problemas com agressões e segurança, com PMs violentas, com brigas inexplicáveis. Me perguntei porque os estádios não podem estar sempre cheios e festivos como estiveram na Copa. Tentei entender porque ainda temos um futebol tão amador, no âmbito trabalhista mesmo, sobre a forma como dirigentes, jogadores e clubes ainda trabalham. Não achei resposta pra maioria das perguntas, mas sem dúvida estou revendo e repensando diversos conceitos que sempre achei corretos.

12 – Eu senti, talvez como nunca tenha sentido antes, o poder da palavra “obrigado”. Ouvi tantas vezes isso de pessoas que ajudei que meu objetivo no dia passou a ser isso. Dar boas-vindas e ouvir um “obrigado”, ensinar o portão certo e ouvir um “obrigado”, ajudar a carregar a pipoca até o lugar marcado e ouvir um “obrigado”, correr pra procurar a resposta de alguma informação que eu não sabia, bater uma foto, traduzir uma palavra, pedir um táxi. Eu ouvi “obrigados” até de gente que eu nem ajudei. Foi forte, muito forte.

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Se eu mesma pudesse voltar no tempo, o que eu mudaria seria isso: eu é que digo obrigada! Eu lembro de cada rosto que eu ajudei e esses alguns segundos de interação me tocaram de alguma forma que, aos poucos, eu vou descobrindo. Lá no meu primeiro texto eu disse que a Copa havia me mudado e eu espero que tenha conseguido contar um pouco do porquê pra vocês. Sinto um orgulho imenso de ter sido voluntária! Bato no peito! Ou vocês conseguem me dizer que valores eu cobraria por todos esses itens acima? Impagáveis. São 12 lições que, com certeza, em mais algumas horas que eu digitasse se tornariam 24, 36… Incontáveis lições pessoais.

Acabou. Mas ela vai ficar aqui comigo. Obrigada, Copa do Mundo!

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Um balanço do primeiro dia na organização da Copa do Mundo

Agora que passou a minha euforia e explosão emocional de estar na abertura da Copa do Mundo – mentira, não passou, mas to me controlando – eu queria muito também escrever algo sobre o evento em si, um olhar mais crítico sobre acertos e erros que a organização, e nós voluntários também, tivemos nesse primeiro dia. O intuito desse balanço é mostrar que não há porque só reclamar ou só rasgar elogios.

Grandes vitórias

  1. O assunto mais questionável, o temido caos do trânsito e do transporte público, foi nota 10. O expresso da Copa e o metrô deram conta do recado, tudo muito bem sinalizado e sem panes. Como era de conhecimento geral que não chegariam carros ao local, não houve problemas com trânsito na região. Apesar de ter sido feriado, acredito que teremos esse mesmo fluxo tranquilo para os próximos jogos em São Paulo, mesmo em dia de semana.
  2. A entrada dos torcedores foi muito tranquila. Com os portões abertos com muita antecedência, não houve tumulto. As catracas, detectores de metais e raio-x funcionaram perfeitamente e havia muito espaço para que se acumulassem muitos torcedores sem gerar sufoco ou empurra-empurra.
  3. A mesma coisa para a área de circulação externa, com os stands dos patrocinadores. Muita música, muita luz, muitos voluntários e funcionários felizes e, dessa forma, muitos torcedores circulando com amigos, tirando fotos e fazendo festa.
  4. Considero a iluminação uma vitória. Ainda que tenham tido refletores que se desligaram por alguns minutos, não interferiram em nada, o restante da iluminação segurou a bronca. Dentro do estádio, é como se sentir num imenso telão de HD de tão bonito que fica iluminado. Fora, nas áreas de circulação, iluminação boa também. O telão funcionando deu um show à parte!
  5. Equipe da organização da Fifa sempre muito animada, sorridente e prestativa, mesmo com todo o cansaço e todos os eventuais problemas, que vou citar mais abaixo. Muita prioridade, preocupação e respeito com crianças, idosos, pessoas com mobilidade reduzida e quem mais precisasse de ajuda.
  6. Não posso dizer sobre a questão dos protestos, pois não vi, mas sobre as barreiras em volta do estádio, as polícias, civis e militares, também fizeram um ótimo trabalho garantindo que o mínimo de pessoas mal intenciadas chegassem perto. Não ouvi relatos sobre tentativa de invasão, de cambistas na boca da entrada, brigas ou de outros problemas maiores.
  7. Ponto mais que importante: cerveja não faltou.
  8. Por fim, um dos pontos mais incríveis, na minha opinião, é ter Itaquera tão em evidência. E digo isso por ser uma região de periferia. Não faria sentido algum colocarmos a abertura da Copa num estádio rodeado por prédios modernos, grandes avenidas e casas seguras. Não é a nossa realidade e o mundo precisa ver isso. Ver para refletir, ver pra entender nossa capacidade de também ser grandioso, ver para entender que o Brasil é mais complexo e profundo que selvas e carnavais.
  9. Gringos. Eles são simplesmente demais e estão nitidamente felizes em estar aqui. Não é só por ver a Copa não, é por estar sim no Brasil. Eles adoram, estão empolgados com a oportunidade de beber muito, se divertir na rua, conhecer mulheres bonitas, viajar por todo o país com lugares tão bonitos. Alguns passam dos limites em todos os assuntos, mas em geral, eles são as pessoas mais simpáticas pelas ruas no momento.
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Estádio durante o jogo à noite

Grandes derrotas

  1. Na minha opinião, o ponto baixo e o mais relevante, pra mim, foi a alimentação. Antes mesmo de acabar o primeiro tempo já não havia comida no estádio, havia acabado tudo. Nem mesmo a pipoca ambulante das arquibancadas eram mais encontradas. Isso gerou muita insatisfação das pessoas – bem compreensível, ao meu ver – e nós, voluntários, tivemos que segurar uma baita bronca de pessoas exaltadas que não entendem que não tínhamos culpa disso. Faz parte.
  2. Educação, como sempre, é um ponto ruim por aqui. E isso envolve tudo, desde alguns famosos que davam xiliques quando eram reconhecidos, até brasileiros que xingavam os voluntários pela culpa de todos os erros do evento, até as vaias da Dilma. Levamos essas imagens para o mundo todo e não concordo com esse tipo de hostilidade com ninguém. Não passei nenhum tipo de agressão verbal ou tensão com estrangeiros. Passei várias com brasileiros.
  3. A segurança interna do estádio me desagradou. Os chamados Stewards, segurança privada do evento, deixou a desejar. Em vários pontos que deveriam estar, não estavam. Outros, visivelmente assistindo jogos e distraídos. Em horários mais agitados, como intervalos de jogos, era difícil encontrar algum perto das filas, já que pessoas estavam exaltadas com a falta de comida. Não bloquearam a entrada de latas nas arquibancadas, vi muitas pelo chão.
  4. Um pouco triste em ver os pontos inacabados do estádio. A arquibancada superior norte passou o evento todo com um enorme guindaste, ou um elevador, não sei bem, ao lado, uma imagem feia de se ver, como se a obra estivesse acontecendo enquanto todos estavam lá. Muitos pontos conseguíamos ver o fundo de escadas improvisadas e andaimes e algumas poças apareciam, sem nem mesmo chover.
  5. Nem tudo no mundo dos voluntários é mil maravilhas também. Alguns muito prestativos, outros já abusando da facilidade em ver o jogo e esquecer do público, nosso foco ali. No entanto, a esmagadora maioria daqueles com quem interagi trabalhou muito, muito mesmo!
  6. Outro ponto negativo que todo mundo já comentou, reforço aqui: A abertura. Fraca e curta. Com tantos carnavalescos do Rio e São Paulo, com incríveis festas de Parintins, vimos uma Belga fazer algo pouco empolgante. Quem esteve no estádio viu, mais da metade dos expectadores estavam, no momento do espetáculo, lá fora, bebendo com os amigos. Isso era mais divertido do que a apresentação.
  7. Outra percepção minha, e aqui ressalto: é apenas uma percepção, foi o excesso de ingressos concedidos por patrocinadores ou para convidados. Foi a maioria dos visitantes que atendi. Reforço: pode ser apenas uma percepção do local onde estive, mas me fez pensar um pouco sobre isso.
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Torcida croata costumava ser vaiada quando cantava mais alto

Nem lá, nem cá

  1. Algumas reclamações considero desnecessárias, mas também não considero vitórias. Ficou no 0x0, coisas esperadas em qualquer evento. Como as filas. Bebida, comida e banheiro tiveram filas enormes em momentos de pico, como antes do início do evento, intervalo entre abertura e jogo e intervalo do jogo. Esperado e comum em qualquer evento desse porte.
  2. Também vi jornais reclamando da falta de muitos voluntários e funcionários que falassem inglês. Também discordo. Não tínhamos mesmo uma equipe 100% “english speaker” mas também não vejo como um problema. A ver o que muitos corinthianos passaram no Japão, achando que o inglês salvaria. Turista se adapta, se vira, espera passar perrengue em país estrangeiro, faz parte do pacote. Quem sabia falar, se identificou para isso e ajudou como pode. Nada disso atrapalhou o fluxo.
  3. Vi também algumas reclamações da postura da torcida brasileira. Bem esperado, na minha opinião também. A torcida da seleção não é a torcida dos times brasileiros. De Copa do Mundo então, mais distante ainda dos campeonatos do Brasil. A festa é outra, é diferente. Ainda que não seja a minha forma mais favorita de se torcer, ainda que eu discorde, compreendo as diferenças.

Enfim, amigos. Se eu pensar mais um pouco, saem mais vários pontos a serem comentados. Se eu lembrar mais algo, comento e coloco aqui para a discussão. Fica o balanço, nem 100% negativo, nem 100% positivo. Aguardo as opiniões de vocês e que venham os próximos jogos!

E para organizar uma Copa?

Eu mal comecei o meu trabalho como voluntária na Copa do Mundo 2014 e já tenho muito o que contar. Como disse, vou, aos poucos, compartilhando minha experiência por aqui durante esses tantos dias. Já de início, queria falar sobre duas coisas que me chamaram a atenção no sábado, dia do último treinamento de voluntários: detalhes da organização da Fifa e a Arena Corinthians como sede em São Paulo.

De fato, o clima para a Copa na capital paulista ainda não é o clima que esperávamos. Não sei bem o que será do nosso trânsito, do nosso transporte, da nossa segurança frente a vários protestos que acontecerão e muitos outros detalhes extra estádios. Porém, o que posso dizer é que das catracas para dentro, a Fifa promete algo incrível e absurdamente organizado. E olha que quem está falando é alguém que sempre acompanhou o futebol e sempre teve a entidade Fifa como algo a se olhar com desconfiança, com pés atrás. Eu não sei – e essa nem é a minha intenção – falar aqui sobre política do futebol, gastos públicos, lucros, nem nada disso. Não tenho acesso a nenhuma dessas informações. Falo exclusivamente do que tenho visto, como voluntária, na organização, na logística, na operacionalização de um mega evento esportivo.

Há um fluxo para cada ‘fucking’ ação lá dentro. Há uma resposta para cada possível problema, dúvida, ou situação que possa vir acontecer dentro dos estádios e que procedimentos tomar para solucionar. Há uma equipe responsável, formada por inúmeras pessoas, para cada setorzinho, cada área, cada função. E todos eles com um sorriso incrível para te atender. Há mapas, diagramas, Q&As, de coisas que eu nem imaginaria. São detalhes tão pequenos que vão montando, pecinha por pecinha, o maior evento do mundo. Desde a organização de mais de 1200 voluntários só em São Paulo, até o teste de um único microfone. Ainda que o tal “padrão Fifa” tenha virado quase uma chacota nos últimos meses, o padrão Fifa colocado em prática na preparação do evento é dos mais rigorosos. E tudo isso com o intuito de que a experiência proporcionada ali dentro seja a melhor, mais tranquila e mais inesquecível possível. Estou prestes a me convencer de que, dentro do estádio, sim, será a mais inesquecível.

E nossa Arena Corinthians faz parte disso. Ainda que os últimos ajustes sejam aos 45 minutos do segundo tempo, o estádio está deslumbrantemente lindo. Por fora, por dentro, e por muito dentro, nas salas de coletiva de imprensa, vestiários, corredores, áreas de circulação. Isso tudo já sabemos e cansamos de ler por aí. Mas sempre bom repetir como está, de fato, num nível muito acima de qualidade. No entanto, a minha imensa dúvida sempre foi quanto à localização. Transporte, arredores, acesso, tudo isso me era um ponto de interrogação ainda. Hoje, o que posso dizer é que me parece ter sido uma boa escolha.

O espaço que temos para convivência entre torcedores, para chegada ao estádio, para a curtição do pré e pós jogo, interações com stands de patrocinadores e tudo mais é gigantesco. Clubismos à parte – juro que estou tentando – não consigo imaginar isso acontecendo no Morumbi sem a necessidade de imensas e caras obras em diversas ruas e casas do bairro ao redor do local. E todo esse espaço que temos em Itaquera também facilitou para que se pensasse acesso de imprensa, de estacionamento para deficientes, para chegada e saída de cada setor, para espaços VIPs. Os mapas para tudo isso são inúmeros. A Arena Corinthians é linda, mas para a Copa, não bastava apenas uma modernidade, uma cobertura, ou um aumento de lugares. Era preciso mais e, de novo, o que minha percepção diz é que acertamos nisso.

O que me deixa um pouco inquieta com tudo isso é perceber que sempre tivemos a faca e o queijo na mão para fazer tudo espetacular. E será espetacular. Mas talvez um pouco corrido. O jeitinho brasileiro de “no final tudo sai”, sabe? É nítido, seja na Arena, nos arredores, na cidade como um todo, que um pouco mais de tempo e planejamento seria perfeito. Tivemos esse tempo, só não aproveitamos como podia nem planejamos como devia. Capacidade jamais faltou.

Independente de tudo isso, o balanço até agora me faz dizer: Vai ter Copa sim. E, com correria ou não, vai ser incrível! Exatamente como estamos tanto esperando!